Hoje eu vou falar de um mecanismo que se repete em mim. São dois "modos de sentir" que se repetem nas 24 horas de um dia:

Aflito:
Eu acordo "pilhado", na aflição de fazer alguma coisa. Levanto muito cedo, tenho que fazer exercícios, café, trocar-me para trabalhar, a cabeça funcionando a mil - mil problemas, mil aflições, mil preocupações, mil medos.

Desesperado:
Ali pelas 2 da tarde, minha energia acaba. Também, pudera! Entra em ação um desespero de não ter feito, de ter feito algo errado. Encolho-me.

Aflito, de novo:
À noite, eu entro em atividade de novo. Se possível, estando em um ambiente seguro: casa, hotel, reunião de pessoas relativamente afins.

Desesperado, de novo:
Ao dormir, cansadíssimo, posso ter insônia, por causa do desespero. Mesmo dormindo pouco, o sono é profundo. De manhã, retomo o ciclo, aflito logo ao acordar.

É isso.

Quando eu era mais jovem, tinha mais energia para rodar esse ciclo, e tinha mais saúde para tampar o sofrimento dessa movimentação: eu fumava muito e bebia muito.

As fotos que eu publiquei na postagem anterior têm algo a ver com a descrição que estou fazendo do meu mecanismo. O jovem armado, a cuidadora que agride a idosa e os muitos doentes em espera de cuidados num hospital... Talvez eles tenham, em comum, o sofrimento mais acentuado. Na minha opinião, esse sofrimento acentuado é o que eu quis colocar como um "fator de expulsão" da Esfera. Se eu sofrer muito, provocarei muito sofrimento em volta. Serei expulso de uma condição de controle do meu sofrimento.

Posso controlar meu sofrimento? Acho que não. Acho que eu posso administrar meu sofrimento, o que significa "reduzir" sua força, sua intensidade. Na música "Há Tempos", o artista Renato Russo canta:

- Disseste que se tua voz fosse igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira.

Eu ainda preciso gritar, mas os gritos são menos intensos. Terei que gritar enquanto eu estiver contando entre os vivos. Mas não quero destruir minha garganta, nem os ouvidos das outras pessoas.

Na próxima postagem, tentarei falar sobre o mecanismo mais lento, comparando com o mecanismo diário que eu mostrei aqui.

Grande abraço!

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